segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Gaddafi preferia morrer na Líbia a ser julgado pelo TPI, diz ex-aliado

O ex-chefe de segurança de Muammar Gaddafi narrou as últimas semanas de vida do ex-ditador líbio, até sua morte em Sirte no dia 20 de outubro, descrevendo-o como um homem "deprimido e ansioso" que preferia "morrer na Líbia a ser julgado" pelo TPI (Tribunal Penal Internacional).

No dia 27 de junho, o TPI emitiu um mandato de prisão para Gaddafi, seu filho Saif al Islam e Abdallah al Senussi, ex-chefe do serviço secreto e militar da Líbia, por crimes contra a Humanidade.

A medida agravou as coisas, afirma Mansur Dau, ex-chefe do serviço de segurança, preso em Misrata: "O mandato do TPI fez com que ele e seus filhos decidissem ficar na Líbia (...). Gaddafi dizia 'eu prefiro morrer na Líbia do que ser julgado pelo (procurador do TPI Luis) Moreno-Ocampo'".

Saif al Islam e um outro filho, Muatassim, "queriam que Gaddafi ficasse, sobretudo Saif", considerado seu sucessor, enquanto "Senussi fazia pressão para que ele partisse".

Em 19 de agosto, as forças do CNT (Conselho Nacional de Transição) chegaram a Trípoli e Muammar Gaddafi fugiu para Sirte, sua terra natal.

"Gaddafi sabia que era o fim (...) desde que suas tropas foram expulsas de Misrata. Depois disso, ficou cada vez mais nervoso", lembra Dau.

"Ele estava sob pressão, porque seus amigos o abandonaram: Berlusconi (premiê italiano), Sarkozy (presidente francês), Erdogan (primeiro-ministro turco) e Tony Blair (ex-primeiro-ministro britânico). Ele considerava estes líderes como amigos próximos", disse.

No início, Gaddafi viveu em um hotel em Sirte, mas com os ataques do CNT aos arredores da cidade em meados de setembro, passou a trocar de abrigo quase diariamente por medida de segurança.

Suas provisões diminuíram e os combates se intensificaram, devastando a cidade. A eletricidade e a água foram cortadas e os alimentos se tornaram raros.

Muatassim, hoje morto, comandava os combates em Sirte, enquanto Saif, atualmente foragido, "ficou em Bani Walid", outro reduto pró-Gaddafi, que caiu logo antes de Sirte. "Eu nunca mais o vi desde então", contou Mansur Dau.

Os combatentes fiéis ao ex-ditador caíam um após o outro sob o fogo dos pró-CNT, enquanto voluntários de Sirte sem experiência tentavam ajudar.

"Gaddafi lia livros, fazia muitas anotações e dormia. Era Muatassim que comandava os combatentes. Gaddafi nunca lutou. Ele estava velho", explicou.

CERCO

No dia 19 de outubro, a situação ficou desesperadora: a última quadra do bairro n°2 de Sirte é cercado e bombardeado pelo CNT e pela Otan.

Ele saiu decidido A partir para o sul, na direção de Wadi Djaref, próximo da cidade natal de Gaddafi.

"Um erro monumental", diz Dau: "Foi ideia de Muatassim. Ele tinha em torno de 45 veículos, de 160 a 180 homens, alguns feridos. A partida deveria ocorrer às 3h30 da manhã (20 de outubro), mas demoramos três ou quatro horas antes de partir (...), pois os voluntários de Muatassim estavam mal organizados".

O comboio saiu no amanhecer e foi rapidamente percebido pela Otan, que iniciou um ataque aéreo. Os combatentes do CNT continuaram o trabalho, matando ou capturando os sobreviventes.

Ferido, Gaddafi foi encontrado escondido em tubulações de água e esgoto. Foi pego pelos combatentes de Misrata, apanhou, foi insultado e humilhado. Duas horas depois, ele estava morto com um tiro na cabeça e outro no peito.

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