quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Estudantes sinalizam com alvos em vermelho e branco as crateras nas vias



Munidos de pincéis e tinta, os estudantes Natasha e Luan começaram a alertar motoristas em junho (Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
Munidos de pincéis e tinta, os estudantes Natasha e Luan começaram a alertar motoristas em junho
A estudante Natasha de Albuq, 19 anos, não consegue calcular o quanto já gastou em oficinas mecânicas. A aluna de Artes Plásticas da Universidade de Brasília (UnB) conta que já teve dois pneus furados, várias calotas perdidas e rodas amassadas, resultado dos inúmeros buracos espalhados pelas vias do Distrito Federal. Cansada dos prejuízos, ela e o amigo Luan Haickel, 20, estudante de engenharia, decidiram sinalizar, com alvos em vermelho e branco, as crateras nas vias do DF.

A ação começou em junho, quando os estudantes pintaram em volta de cinco buracos próximos à UnB. Munidos de bicicletas e um triângulo de sinalização de carro, Natasha e Luan colorem as vias em horários em que o trânsito é menor, geralmente à noite.

Desde então, a dupla já sinalizou outros 21 buracos, a maioria nas imediações da UnB. Os alvos também podem ser vistos no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), na comercial da Quadra 111 Norte, na área residencial da 405 Norte e, mais recentemente, na W3 Sul, no início da L3 Norte e em frente ao Conjunto Nacional. A escolha dos locais é aleatória. “Onde nós passarmos e houver buraco, se tivermos tinta e a chuva deixar, fazemos os alvos”, explica Luan. Segundo os estudantes, a maioria das crateras sinalizadas na Universidade já foram tapadas.

Os custos da ação saem do bolso de Natasha e Luan. De acordo com a estudante, o preço de duas latas — nas cores vermelha e branca — fica em torno de R$ 90. Com elas, é possível pintar cerca de 10 buracos. Para expandir a ação, os estudantes espalharam cartazes com um endereço de e-mail criado para denúncias. “Criamos o e-mail para saber quais os buracos que mais incomodam. Queremos também ver se o pessoal aprova a atitude, porque não deixa de ter uma certa utilidade pública”, diz Luan. “Pretendemos expandir para outras áreas da cidade, mas o que tem atrapalhado são as chuvas”, completa Natasha.

Ruas esburacadas
De acordo com a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), 24 equipes — com 120 homens ao todo — atuam nos serviços de tapa-buraco, recapeamento, construção de ramal e limpeza de bocas de lobo no DF.

No período mais crítico da chuva, entre dezembro e janeiro, a Novacap promete 40 equipes nas ruas da capital. Uma licitação para contratação de cinco equipes tapa-buraco itinerantes com caminhões de alta tecnologia já está em andamento. A Novacap se compromete ainda em criar, até o início de novembro, um número de telefone para atender às demandas da população. Enquanto isso, os brasilienses podem continuar usando a central 156.

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