terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

PMDB aproxima-se da oposição para tentar presidência em 2013

Maior avalista das tranquilas eleições para as Mesas Diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado na legislatura que se inicia , o PMDB faz movimentos de aproximação com a oposição nas duas Casas, com vistas a garantir as presidências de ambas no próximo biênio (2013 e 2014).

Na Câmara, o líder do partido, Henrique Eduardo Alves (RN), foi o primeiro a atrair o PSDB e o DEM no apoio ao candidato do governo, Marco Maia (PT-RS), e agora oferece aos tucanos a vice-presidência da Casa, cargo que, pela proporcionalidade das bancadas, poderia ser ocupado pelo PMDB.

No Senado, o presidente José Sarney (PDMB-AP) é candidato único à reeleição. Entretanto, de olho em sua sucessão daqui a dois anos, o líder Renan Calheiros (AL) faz afagos à oposição na divisão das comissões temáticas.

Com essas movimentações, o PMDB reafirma ao Palácio do Planalto que é o partido mais forte do Legislativo e se cacifa para as negociações do segundo escalão a ser definido pela presidente Dilma Rousseff. O caminho para isso, porém, é o estabelecimento de uma relação de desconfiança com o PT, seu maior parceiro na aliança governista.

No Senado, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), que aspira retomar a presidência da Casa em 2012, defende que seja obedecido o critério do tamanho das bancadas de cada partido na distribuição das presidências das comissões temáticas - e não dos blocos, como quer o PT.

Na prática, fazer a distribuição dos cargos aos moldes previstos pelos petistas tira poder da oposição, já que PT e PMDB estão compondo grandes blocos parlamentares com partidos da base governista que teriam preferência na escolha dos cargos das comissões. O PT negocia formação de um bloco com seis partidos, totalizando 30 senadores - seria a maior bancada da Casa.

Nesse sentido, a proposta de Renan favorece o PSDB, que tem a terceira maior bancada partidária (10) e poderia fazer a terceira escolha, atrás do PMDB (19) e do PT (15). "O PMDB está correto em defender a escolha partidária e não por bloco. A ideia de fazer valer a formação de blocos esmaga a minoria", diz o líder da bancada tucana, Álvaro Dias (PR).

A bancada do PT rejeitou o critério proposto por Renan, alegando que a proposta beneficia a oposição. No entanto, deve prevalecer a tese defendida pelo pemedebista. Assim, o PSDB poderá presidir a Comissão de Infraestrutura, responsável pela aprovação dos indicados às agências reguladoras.

Se o critério for o dos blocos, o PSDB cairá da terceira para a quinta opção, perdendo direito a escolher a Infraestrutura. O governo não quer entregar o comando dessa comissão à oposição. O PT tem dois postulantes: Lindberg Farias (RJ) e Delcídio Amaral (MS) - este, caso não fique com a CAE.

Renan tem tomado a iniciativa de procurar os líderes do PSDB e do Democratas - partido da oposição cuja bancada caiu de 13 para cinco senadores - para negociar a divisão de espaço no Senado. Numa atitude que surpreendeu os líderes da oposição, Renan chegou a visitá-los em seus gabinetes.

O gesto de aproximação foi interpretado como tentativa de facilitar a eleição de Sarney. E abrir caminho para 2012. Outra atitude de Renan interpretada como um aceno à oposição foi ele não ter concordado em fazer acordo de rodízio na presidência da Casa com o PT.

Na Câmara, o líder Henrique Alves foi o primeiro a garantir a oposição na chapa de Marco Maia, ainda em dezembro. Com isso, inibiu o surgimento de candidaturas nesses partidos e também nos da base. Sua estratégia foi o de prometer que, com o petista, teriam espaço garantido na Mesa pelo critério da proporcionalidade entre o tamanho das bancadas e as cadeiras disponíveis.

Na semana passada, fez outro aceno à oposição. Procurou o deputado federal Eduardo Gomes (PSDB-TO) para lhe dizer que o PMDB avalia ficar com a primeira-secretaria da Câmara e não com a vice-presidência. Trata-se de uma prerrogativa da legenda, que elegeu a segunda maior bancada e teria, assim, direito ao segundo cargo da Mesa.

O gesto desagradou setores do PT e do Planalto, que temem uma reedição do que ocorreu no segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o então senador Marconi Perillo (PSDB-GO) era vice-presidente do Senado e, em muitas das vezes em que assumiu, trabalhou contra o governo. Tanto que neste ano, o PT, com segunda maior bancada no Senado, fez a opção pela primeira vice-presidência em vez da primeira-secretaria.

Desta vez, contudo, as atuações de Renan e de Alves foram vistas pelo Planalto com desaprovação, embora necessárias para que não houvesse surpresas no primeiro ano do mandato da presidente Dilma Rousseff.

A única hipótese de surpresa desagradável para o governo amanhã será se o desafiante de Maia, Sandro Mabel (PR-GO), derrotá-lo, o que não é previsto por quase nenhum deputado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário